Resenha | “Bom dia, Verônica” é uma leitura forte que vai entrar em você

Por Vanessa Januth

Verônica tem 38 anos e é secretária de Wilson Carvana. Está arrumando sua bolsa quando uma mulher sai da sala dele chorando e se joga da janela do 11º andar. Suas últimas palavras foram: “Agora ele vai ser capaz de me amar”. Segundo Carvana, Marta Campos (a mulher que se suicida) dissera que havia conhecido um homem na internet que lhe havia arrancado dinheiro e desaparecido e ele disse que não poderia fazer nada (engaveta, Verô).

“Como alguém pode mentir de modo tão cruel só para arrancar dinheiro de uma mulher iludida?”

Contrariando as ordens de Carvana, Verônica decide investigar o caso por conta própria. Verônica mora com seu marido Paulo e seus filhos Lila e Rafael. Formada em letras e filha de policial, tenta se matar aos 24 anos após a morte de sua mãe. Seu pai fora acusado de corrupção e tentou se matar. Foi dado como morto e vivia num asilo em estado vegetativo. A cada problema que passa, sabe que o pai é a única pessoa com que pode desabafar, pois não revelará nada a ninguém.

Então conhecemos Janete. Uma mulher que sofre maus-tratos por seu marido Brandão que é PM. Ela então liga para Verônica após assistir notícias do caso Marta Campos. Janete “contratava” moças na rodoviária, geralmente vindas do Norte, para que Brandão fizesse o que bem entendesse com elas enquanto Janete ficava com uma caixa de madeira na cabeça só ouvindo através dos furos laterais.

“O ser humano é podre e egoísta, prefere o problema que já conhece a enfrentar o desconhecido com honra".

- "Bom dia, Verônica" pág. 191

Verônica é uma personagem muito humana. Comete erros (chegando ao nível de burrice extrema), se enoja com as coisas que presencia e trai seu marido diversas vezes no decorrer da trama. Sabemos o que é certo e errado, mas o livro nos faz questionar se faríamos o certo em determinadas situações.

O livro é narrado em primeira pessoa por Verônica e em terceira pessoa por Janete. Conseguimos, através da linguagem coloquial, nos identificar com os personagens e o enredo da trama em si. A história se passa em São Paulo e tem cenas fortes de estupro, tortura e muitos palavrões, cheio de reviravoltas e ação, que quase me fez acabar com todos os meus post-its (de marcação).

Algumas frases que marcaram:
“Mulher é que nem índio, se pinta para a guerra que enfrenta todo dia.” - pág. 32.
“O passado esquece, o presente vive e o futuro, Deus proverá.” - pág 92.

Após toda a leitura, um  mistério prevalece: Quem é Andrea Killmore?

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

https://o.twimg.com/2/proxy.jpg?t=HBgtaHR0cDovL3N0YXRpYy5vdy5seS9waG90b3Mvb3JpZ2luYWwvN3RqZ24uZ2lmFOwJFOwJABYAEgA&s=Y-LkLtRmCw5Iq1wTo8dBqpPeNRJBdcMy8ytpeCBGjts