Hacksaw Ridge | Mel Gibson fez um dos melhores filmes de guerra da história do cinema

Adoramos filmes sobre as guerras por aqui no Odin com Pimenta, além das obras sobre quaisquer guerras. É importante ver e ler obras sobre diferentes pontos de vista e saber como iniciaram e terminaram estas guerras, entender os efeitos delas. Hacksaw Ridge mostra uma visão bem diferente da guerra, no sentido em que foca em um homem que foi para a guerra para não fazer guerra. Desmond Doss era um homem simples do estado da Virgínia nos Estados Unidos. A Primeira Grande Guerra o atingiu não com sua participação, porque ele ainda era criança, mas com a participação de seu pai, um dos únicos da cidade a voltar vivo e por isso mesmo cheio de traumas. Thomas Doss, vivido com brilhantismo por Hugo Weaving, era um homem destruído e quebrado pelos horrores da guerra e que descontava na bebida e na familia.

Desmond cresceu apanhando do pai, juntamente com seu irmão e sua mãe. Eles eram muito católicos e Desmond acreditava piamente nos mandamentos e em sua fé em Deus, uma força superior. Acontece que logo no inicio do filme, ainda muito criança, ele quase mata o irmão com uma tijolada durante uma briga mais violenta e o choque dele ao perceber que quase matara o irmão causou um trauma profundo. Doss cresceu e apesar das surras, ele era um jovem bom, doce, prestativo e de forte caráter. Um certo dia ele ajuda um jovem que se acidentou ao fazer manutenção em um carro e conhece uma enfermeira linda e dedicada, interpretada pela bela Teresa Palmer (que também deu tudo de si na atuação) e se apaixona por ela profundamente.

Este amor floresce em meio a Segunda Grande Guerra e, não só o irmão de Desmond como ele próprio se alistam para fazer a diferença junto aos seus compatriotas. É aí então que começa a extraordinária historia de vida dele. Desmond é um Objetor da Consciência, ou seja, sua fé e crenças tem algumas particularidades, dentre elas a convicção de não matar, o que compreendia pegar em armas. Ele então é visto como soldado desobediente e passa a sofrer com tarefas degradantes de seus superiores que o vêm como insubordinado e de seus colegas de pelotão que o surram e desprezam. Qualquer pessoa teria quebrado, mas a crença e respeito pela própria fé deram a ele uma força descomunal, mesmo após sua prisão e julgamento na corte marcial. Num ato de redenção seu pai consegue uma ajuda de Washington e livra o filho que finalmente pode ir à guerra.

Isso tudo é só o maravilhoso histórico de Desmond que prepara o espectador para o que ele veria à seguir e para que todos nós entendessemos as atitudes e a força do homem que estávamos conhecendo. Desmond Doss precisava ter sua vida contada para as pessoas no resto do mundo. Mel Gibson, em sua direção crua, com uma visão muito realista da desgraça e da violencia da guerra, trouxe uma veracidade necessária para que vissemos a magnitude da fé de um homem que foi para a Segunda Guerra e enfrentou centenas de homens sem dar um único tiro.

O segundo ato do filme, a guerra em si, é crua, muito bem feita, os corpos mutilados dos soldados, o desespero da batalha, americanos e japoneses com suas crenças em que o que estavam fazendo era certo, a noção do que é o inimigo e principalmente a falta feiura da guerra, o peso do que é tirar uma vida.

Nisso temos Doss e seu desejo inabalável de salvar mais um compatriota ou mesmo um de seus inimigos. Isso não é comum em uma guerra, não estamos acostumados a ver filmes, séries e obras em geral sobre guerra onde alguém quer salvar vidas ao invés de tirá-las. Ter passado por tudo isso e ainda ver Desmond ao final do filme, nos faz pensar que mesmo em meio a insanidade de uma guerra como a Segunda Guerra Mundial é surreal e maravilhoso.

A escolha do elenco foi outro ponto importante do filme, pois alem de Hugo Weaving e Teresa Palmer, outros atores se excederam muito na atuação, como Sam Worthington e Vince Vaughn, cujas atuações foram mesmo muito competentes. Mas o grande destaque, que inclusive está concorrendo ao Oscar de melhor ator este ano, é Andrew Garfield que assumiu o manto de Desmond Doss de tal forma que sentimos que estamos vendo um Doss mais jovem de fato.

Mel Gibson entrega um filme impecável, da fotografia ao figurino, das atuações à direção. Hacksaw Ridge ou Até o Último Homem em português é o filme de guerra mais poderoso que já vimos, muito acima do também excelente O Resgato do Soldado Ryan, Mel Gibson tem realmente o dom para conduzir a direção, extrair atuações únicas de seus atores e fazer com que você se sinta parte da estória. O diretor de Coração Valente está de volta e ainda melhor!

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

https://o.twimg.com/2/proxy.jpg?t=HBgtaHR0cDovL3N0YXRpYy5vdy5seS9waG90b3Mvb3JpZ2luYWwvN3RqZ24uZ2lmFOwJFOwJABYAEgA&s=Y-LkLtRmCw5Iq1wTo8dBqpPeNRJBdcMy8ytpeCBGjts