Resenha | Piratas do Caribe 5 resgata bons elementos dos filmes de pirata

Por Tatiane Pimenta

O Odin e eu gostamos muito de Piratas do Caribe, muito mesmo. Nunca irei me esquecer de quando vi o primeiro filme, sozinha no cinema, meus país estavam em outra sala vendo um filme infantil com minhas irmãs mais novas e fiquei deslumbrada com aqueles piratas ousados, grandes cenários e imensa aventura.

O primeiro Piratas do Caribe evocava os filmes antigos de piratas como Simbad e outros feitos com muito stop-motion, além de conseguir fazer com que o espectador se sentisse dentro da ação, sentindo a brisa do mar no rosto, a maresia e até mesmo o medo que aqueles piratas desmortos traziam à tona.

Por todas estas razões foi muito triste ver a franquia declinando com as decisões erradas para o fim do terceiro filme e o fraquíssimo quarto filme. Colocaram um dos piratas mais conhecidos do mundo, o temível Barba Negra, com um ator primoroso como Ian McShane e não aproveitam o cara! O roteiro é confuso, as personagens do jovem padre e da sereia são sub explorados e temos ainda um Jack Sparrow muito aquém do que já havíamos visto.

Assim sendo, foi com muita descrença que voltamos ao cinema para conferir o novo filme, o que se provou ser muito bom, porque o que vimos foi um roteiro coerente e bem amarrado, com o aproveitamento e desenvolvimento certo de personagens novos e antigos.

O filho de Will Turner e Elizabeth Swan tem um desenvolvimento interessante, pautado pela busca de uma solução para a maldição a qual sua família está submetida. Como já sabemos a história dos pais e, muitos de nós concordamos, achamos que o destino de Will foi muito cruel, é muito fácil aceitarmos a ideia de que o filho também se indignaria e faria de tudo para salvá-lo.

Acompanhamos então o jovem Henry (vivido por Brenton Thwaites) nessa busca e é a busca dele que move todo o universo ao redor, atraindo elementos do passado dos pais como as pessoas ligadas a ele. Nem posso descrever quão nostálgico foi ver novamente Barbossa, Elizabeth, Will, Mr. Gibbs e até mesmo os soldados do rei que se tornaram piratas, todos desempenhando papéis e funções com um propósito maior do que só aparecer (como vimos acontecer com aqueles piratas de várias partes do mundo no terceiro filme).

Vemos este cuidado todo na introdução da personagem de Carina, interpretada por Kaya Scodelario, e elementos históricos e lendários incutidos em sua busca evocam o lado místico do início da franquia e se entrelaçam à busca de Henry. Aliado ao descobrimento que ocorre sobre as origens de Carina, o desenvolvimento da personagem fecha com uma cena emocionante e triste que dá margem à imaginação sobre o que mais acontecerá com ela e as pessoas a ela ligadas.

Carina e sua estória também tem um aspecto interessante do ponto de vista histórico e antropológico que pode ser observado em seu amor pela ciência e a forma como a sociedade vê mulheres bem instruídas naquela época. Acusada de ser uma feiticeira por gostar de astronomia e ciência, Carina é perseguida e quase enforcada por esse amor e obstinação. Interessante e triste pensar que, mesmo hoje em dia, pensamentos e visões tacanhas como esta ainda assolam a humanidade.

Tal atitude da personagem remonta ao comportamento e pensamento de Elizabeth, que também estava muito à frente de seu tempo, saindo para aventuras, se recusando a realizar um casamento forçado e com o cunho de obter vantagens. Carina não é a clássica donzela em perigo, tem uma alma curiosa e intrépida, sem parecer cliché.

E neste pacotão, por assim dizer, temos a cereja do bolo que é Jack Sparrow! Não o foco, não o rouba cena exageradamente, só Jack e isto foi um grande acerto. Ao invés de enfiar a personagem goela abaixo como fora feito no quarto filme, Jack é parte da aventura de Henry, aparecendo na medida, sendo ele mesmo e trazendo consigo um dos elementos mais amados da franquia: o Pérola Negra.

Dito isto tudo, o filme vale sim o ingresso e abre uma grande curiosidade sobre o que acontecerá na vida de novos e velhos personagens, dados os acontecimentos observados atualmente. Se queremos mais um agora, sim, queremos, se vamos querer outros mais futuramente, só o tempo dirá, ninguém pode realmente saber. Mas, uma coisa é muito certa: teremos mais rum!

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

https://o.twimg.com/2/proxy.jpg?t=HBgtaHR0cDovL3N0YXRpYy5vdy5seS9waG90b3Mvb3JpZ2luYWwvN3RqZ24uZ2lmFOwJFOwJABYAEgA&s=Y-LkLtRmCw5Iq1wTo8dBqpPeNRJBdcMy8ytpeCBGjts