O que o suicídio de Chris Cornell e da filha de Zack Snyder dizem sobre os adultos de hoje

Por Tatiane Pimenta

Chris Cornell, vocalistado Audioslave e ex-vocalista do Soundgarden teve uma morte trágica por suicídio no dia 20 de julho. A surpresa foi enorme porque pelo que disseram na imprensa, mesmo os mais próximos a ele não perceberam aquilo chegando e porque ele fizera um show animado horas antes. Hoje, 22 de maio de 2017, tivemos o anúncio de que o diretor Zack Snyder se afastaria da finalização do filme Liga da Justiça por não conseguir mais trabalhar dada a morte da filha. Também por suicídio.

Em tempos de repercussão de uma série como 13 Reasons Why e do game Life is Strange, é peculiar que 2 casos notórios de suicídio de adultos chamem a atenção. Todos estavam focados e falando do suicídio de jovens e adolescentes, afinal tirar a própria vida sendo tão jovem é extremamente chocante e é claramente um farol para a sociedade, pois nossos jovens têm que crescer, têm muito para viver.

Mas quando nos voltamos para casos como a da filha de Snyder que só tinha 20 anos e mesmo o de Chris que mal chegara aos 50, vemos que todos em qualquer idade estão suscetíveis e vemos também que a vida adulta é realmente mais opressora e solitária do que pensamos.

Quando somos jovens, dizemos que não nos importamos com nada nem ninguém e que ninguém liga para nós, mas temos vários holofotes virados para nós: nossos pais, professores, supervisores, etc., todos preocupados com o adulto que seremos. Quando crescemos não há mais quem foque tanto em nós, não os que não sejam parentes ou amigos mais íntimos. A verdade é que somos mais um ou uma na multidão, e muitas vezes, nem os mais próximos a nós vê realmente o que estamos passando de verdade, em meio as dificuldades do dia-a-dia.

Vivemos em uma sociedade onde todos simulam uma vida linda e ótima, de viagens e vida bela nas redes sociais, espelhos distorcidos de vidas que não são necessariamente o que são apresentadas ali. Falhar em ter aquela vida perfeita, mesmo que aparentemente é ser um derrotado extremo (pelo menos é o que a sociedade quer que você pense), o que leva a pessoa a uma situação em que nem mesmo o direito de se sentir mal ou infeliz ela tem, e que, se assim o sentir, ela é ainda mais "derrotada".

Acontece que isso impede que muitos procurem ajuda, seja familiar, seja profissional, e os deixa trancados dentro de si, nem ninguém para conversar e só os próprios demônios para tentar resolver. Por essas razões é muito complicado julgar um suicida, cada um aguenta uma carga específica de dor, sofrimento, trabalho, solidão, cada um sabe o seu limite, que muitas vezes é muito diferente do limite do outro.

Vejo as mortes deles como fatos que eu não compreendo, mas que eu posso começar a entender, vendo o que acontece com tantas outras pessoas que sofrem diariamente só de pensar em levantar da cama e não veem que aquele gesto sozinho já é uma expressão absurda de força. Que estas mortes sirvam de alerta e como exercício de raciocínio para quem estiver sofrendo e para quem acha que alguém próximo também está sofrendo. Ajude!

Adultos também sofrem, o problema é que são "adultos" demais para admitir.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

https://o.twimg.com/2/proxy.jpg?t=HBgtaHR0cDovL3N0YXRpYy5vdy5seS9waG90b3Mvb3JpZ2luYWwvN3RqZ24uZ2lmFOwJFOwJABYAEgA&s=Y-LkLtRmCw5Iq1wTo8dBqpPeNRJBdcMy8ytpeCBGjts