Resenha: “Semana Em Algum Lugar nas Estrelas” | Darkside® Books

Banner-site-Em-Algum-Lugar-nas-Estrelas

Olá pessoal! Trazemos para vocês uma semana muito especial, a "Semana Em Algum Lugar nas Estrelas" onde vamos postar textos e vídeos que falam dos temas principais abordados não só no livro tema da semana, mas também sobre dois outros lançamentos da Darkside® Books: O Menino que Desenhava Monstros e O Último Adeus. Juntos, estes três livros abordam temas muito tocantes como o autismo, a perda e a amizade.

Começando a semana com o livro tema, trago a vocês a resenha de um dos livros mais maravilhosos que já li em minha vida. Ele conta sobre Jack Baker, um garoto que conhece um menino mais novo, Early Auden após ser enviado a um colégio no estado americano do Maine por seu pai, um capitão da marinha, visto que sua mãe havia falecido na ausência do pai.

Jack guarda toda a dor da perda da mãe para si, uma vez que seu pai é está fechado, austero demais e distante, em muitos sentidos, do filho. Jack enfrenta todas as dúvidas e dificuldades de se estar em um ambiente novo e a amizade com "o garoto mais estranho de todos", como ele chama Early, faz com que ele embarque em uma aventura literal em busca de mais coisas do que ele poderia pensar.

Para entendermos como os fatos da estória acontecem, a autora Clare Vanderpool não economiza em algo muito bom: a construção das personagens. Nas primeiras 50 páginas percebemos como foi a criação de Jack, com o jeito sério e militar do pai de um lado e o jeito de fada que sua mãe tinha de ser, personalidades que contrastavam e impingiam a Jack um pouco dos dois jeitos de ser. É assim, pelos olhos dele, que vemos como são as demais pessoas, especialmente Early, com suas crises de ausência, seu pouco apreço pelas aulas da escola, seu comportamento frente a ser contrariado, sua mania de separar jujubas e seu jeitinho de dar sempre a última palavra.

Acontece que Early tem, o que hoje sabemos ser mas que na época seria diagnosticado por todos como um comportamento antissocial, um grau funcional de autismo, visto que Jack percebe que o amigo é um gênio da matemática e pensador meticuloso. Ninguém sabia lidar com ele, nem mesmo Jack a princípio, mas com o tempo, ele vê que o jovem Auden só precisava ser aceito, mesmo que nem sempre compreendido.

Neste ponto o livro acerta em cheio em não ficar pontuando que Early é autista e sim que ele é um garoto com imaginação e particularidades ricas, cheio de sonhos, de vontades e de um coração puro. Early sofre da dor da perda como Jack, pois seu irmão fora para a guerra e dado como morto, contudo, o menino acredita piamente que o irmão está vivo e perdido, como Pi em sua estória e aí que eu liguei que o filme da estória de Pi contava esta mesma estória de Early.

Vários acontecimentos da estória de Pi começam a ocorrer realmente com os dois meninos quando Early resolve ir procurar o irmão e Jack decide por seguí-lo. Deste ponto em diante passei a ourvir uma música, a mesma música até o fim do livro e por falar nisso, a música de faz muito presente ao longo do mesmo, pois uma das particularidades de Early é que:

"- E se Mozart é para os domingos, quem você ouve no resto da semana?
- Louis Armstrong às segundas. Frank SInatra às quartas. E Glenn Miller às sextas, a não ser que esteja chovendo. Se chove, é sempre Billie Holiday."

GIF-algum-lugar-nas-estrelas-animado

 

Que lindo foi ouvir isso! Mesmo porque aquela voz doce e triste de Billie Holliday casa mesmo com dias chuvosos. O bom gosto de Early é de fazer pirar de satisfação e tal sensação permeia o livro todo, quanto mais sabemos sobre ele e foi na página 104 e meus olhos arderam pela primeira vez, quando a sabedoria de um menininho tão jovem evocou a vida e a forma de vivê-la de um jeito que muitos de nós adultos nos esquecemos como é há tempos.

Na página 146 por exemplo, Early fala sobre a expressão "perder a cabeça" e diz ao amigo: "Prefere perder a cabeça por ficar com raiva ou de ficar maluco? Eu prefiro perder a cabeça de doido, porque da pra ficar lelé e continuar feliz." Ser feliz é um conceito tão abstrato às vezes que nos esquecemos que é uma das melhores coisas da vida, mais do que dinheiro ou bens, e com boas amizades e pessoas nos cercando, nos aceitando como somos e nos amando por isso mesmo é mais fácil ser feliz, mesmo que ainda tenha suas pedras no caminho.

Clare nos presenteia com várias destas palavras de sabedoria vindas de um menino que enxerga o mundo de uma forma muito particular e que ajuda outro menino, seu amigo, a ver o mundo com um pouco mais de magia também. E não se engane, isto tudo vai chegar a você também! Chegou a mim através da música que ouvi enquanto lia Em Algum Lugar nas Estrelas: "Reise, Reise" da banda de metal industrial alemão Rammstein, cuja tradução quer dizer viaje, ou navegue.

Em determinado trecho tanto música quanto livro se encaixaram tão em que pensei ter entrado em simbiose com a estória em si:

Trecho do livro, fala de Jack
"Uma pessoa estava armada, mas a outra usava palavras que, aparentemente, atingiam o alvo."

Trecho de Reise, Reise (traduzido)
"Um atira a lança nos homens, O outro atira-a nos peixes"

Em-algum-lugar-nas-estrelas-livro-darkside-marcador

 

Ok, não são 1 para 1, mas a ideia é bem similar e a música fala de marinheiros (além de homens e peixes, figurativamente), como os meninos se tornam em meio a viagem: navegantes. E foi com esta música, com o peito cheio de carinho pela estória dos dois, pelas perdas dos dois que, na página 238, eu chorei. Chorei porque estava em um estado profundo de empatia, por amar muito minha mãe e minhas irmãs como os dois meninos, chorei porque Clare Vanderpool escreveu algo tão lindo quanto alguém poderia ter escrito e foi nesta hora que eu vi que este livro havia entrado para o meu hall de livros da vida.

Eu espero do fundo da alma que vocês o leiam, que tenham suas experiências próprias com ele, que vejam que autismo não é limitação, seja em que grau for e que estas páginas possam mudar sua vida.

O que vocês estão pescando hoje? Glórias, amizades, amores, estórias, livros? Seja lá o que estiverem pescando "Reise, Reise".

Em tempo: tem uma bibliotecária na estória chamada Srta. T... eu me senti inserida para caramba nessa hora! Afinal sou bibliotecária e meu nome começa com T 😀

E com este texto iniciamos a Semana Em Algum Lugar nas Estrelas. Nos acompanhem nesta jornada!

Semana Em Algum Lugar nas Estrelas

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

https://o.twimg.com/2/proxy.jpg?t=HBgtaHR0cDovL3N0YXRpYy5vdy5seS9waG90b3Mvb3JpZ2luYWwvN3RqZ24uZ2lmFOwJFOwJABYAEgA&s=Y-LkLtRmCw5Iq1wTo8dBqpPeNRJBdcMy8ytpeCBGjts