Semana “Em Algum Lugar nas Estrelas”: Falando Sobre o Autismo

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A partir do último Manual de Saúde Mental – DSM-5, que é um guia de classificação diagnóstica, o Autismo e todos os distúrbios, incluindo o transtorno autista, transtorno desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS) e Síndrome de Asperger, fundiram-se em um único diagnóstico chamado Transtornos do Espectro Autista – TEA.

O TEA pode se manifestar, antes, durante e depois do nascimento e compreende desordens complexas do desenvolvimento do cérebro e embora sejam agrupadas em uma definição distinta, a TEA apresenta graus distintos de dificuldade de comunicação social e de comportamentos repetitivos.

A TEA/Autismo está associado com deficiência intelectual, dificuldades de coordenação motora, déficit de atenção, hiperatividade, dislexia e até displasia. Além disso, pode manifestar dificuldades de sono e problemas gastrointestinais.

O Autismo é uma condição permanente, mas não é totalmente limitante, pelo menos não majoritariamente. Muitas pessoas com autismo conseguem levar uma vida regular, alcançada com muito esforço próprio e auxílio de amigos e parentes. Uma outra particularidade é que a pessoa pode apresentar uma sensibilidade sensorial ligada aos 5 sentidos, que podem ser intensificados, desta forma, podem se incomodar com determinados gostos, barulhos, imagens e isto pode acarretar em crises de ansiedade, desconforto ou dor física.

Um fator notório é que as pessoas com Transtornos do Espectro Autista, o TEA, podem se destacar em habilidades visuais, música, arte e matemática, algo que podemos ver bem claramente no livro "Em Algum Lugar nas Estrelas" e seu lindo personagem Early Auden. Entre as aptidões especiais temos:
  • A maioria das pessoas com autismo é boa em aprender visualmente;
  • Algumas pessoas com autismo são muito atentas aos detalhes e à exatidão;
  • Geralmente possuem capacidade de memória muito acima da média;]
  • É provável que as informações, rotinas ou processos uma vez aprendidos, sejam retidos;
  • Algumas pessoas conseguem concentrar-se na sua área de interesse especifico durante muito tempo e podem optar por estudar ou trabalhar em áreas afins;
  • A paixão pela rotina pode ser fator favorável na execução de um trabalho;
  • Indivíduos com autismo são funcionários leais e de confiança;
  • Isto quer dizer que uma pessoa autista pode ser altamente funcional em funções e cargos específicos, exercendo a seu trabalho melhor do que uma pessoa sem tal condição.

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DIAGNÓSTICO
O diagnóstico deve ser feito por profissionais especializados, a partir da utilização de técnicas próprias, como entrevistas e observação clínica. Ao perceber os primeiros sinais de risco para o desenvolvimento infantil, o médico deve encaminhar, o quanto antes, a criança para avaliação de uma equipe de profissionais especializados no serviço de referência de seu município, que pode ser um Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), organizações especializadas (ONGs) ou outros serviços públicos disponíveis.

Os pais e responsáveis também devem atentar aos direitos da pessoa com TEA. As pessoas com autismo têm os mesmos direitos, previstos na Constituição Federal de 1988 e outras leis do país, que são garantidos a todas pessoas. Também tem todos os direitos previstos em leis específicas para pessoas com deficiência (Leis 7.853/89, 8.742/93, 8.899/94, 10.048/2000, 10.098/2000, entre outras), bem como em normas internacionais assinadas pelo Brasil, como a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

CAUSAS
As causas do autismo ainda são desconhecidas, mas a pesquisa na área é cada vez mais intensa. Provavelmente, há uma combinação de fatores que levam ao autismo. Sabe-se que a genética e agentes externos desempenham um papel chave nas causas do transtorno. De acordo com a Associação Médica Americana, as chances de uma criança desenvolver autismo por causa da herança genética é de 50%, sendo que a outra metade dos casos pode corresponder a fatores exógenos, como o ambiente de criação.

As causas gerais apontam para o envolvimento de muitos genes que afetam o cérebro e a comunicação entre os neurônios. Já as causas externas abrangem desde complicações durante a gravidez e infecções por vírus até contaminação por mercúrio.

Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) já começam a demonstrar sinais nos primeiros meses de vida: elas não mantêm contato visual efetivo e não olham quando você chama. A partir dos 12 meses, por exemplo, elas também não apontam com o dedinho. No primeiro ano de vida, demonstram mais interesse nos objetos do que nas pessoas e, quando os pais fazem brincadeiras de esconder, sorrir, podem não demonstrar muita reação.

Os sintomas costumam estar presentes antes dos 3 anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de idade.

TRATAMENTO
O tratamento envolve muitas frentes de ação como o Treinamento dos Pais  para que correspondam de forma construtiva em relação ao filho e o desenvolvimento comportamental da criança; Análise Aplicada do Comportamento  ciência da mudança de comportamento na qual procedimentos oriundos dos princípios da aprendizagem operante são aplicados para melhorar o comportamento socialmente adaptável e a aquisição de novas habilidades através de práticas intensas e reforço direcionado. Traça o desenvolvimento de planos de treinamento, mostrando o motivo e a função de excessos e faltas no comportamento e a melhor técnica a ser aplicada. Dentre as ações da Análise Aplicada:
  • Reforço positivo: uso de prêmio, lanche, comida, brinquedos para aumentar comportamentos desejáveis;
  • Moldagem: recompensa por aproximações ou componentes de um comportamento desejável, até que esse comportamento almejado seja alcançado;
  • Desvanecimento: redução de instruções para aumentar a independência;
  • Extinção: remoção de reforço, mantendo um problema comportamental;
  • Punição: aplicação de estímulo indesejável para reduzir problemas comportamentais;
  • Reforço diferencial: reforço de uma alternativa socialmente aceitável ou a falta de um comportamento;
  • Tratamento e Educação para Crianças Autistas e Crianças com Déficit relacionados com a Comunicação (TEACCH): programa amplamente incorporado nos contextos educativos norte americanos, e tem contribuído significativamente para uma base concreta de intervenções do autismo. A abordagem do TEACCH é chamada de estrutura de ensino porque tem como base a evidência e a observação de que indivíduos com autismo compartilham um padrão de comportamentos, como as formas que os indivíduos pensam, comem, se vestem, compreendem seu mundo e se comunicam;
  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): um crescente número de relatórios começaram a fornecer evidências moderadas para a eficácia da abordagem da TCC para crianças em idade escolar e jovens adolescentes com TEA. Melhoras na ansiedade, na auto-ajuda e nas habilidades do dia-a-dia têm sido relatadas, com 78% das crianças de 7 a 11 anos no grupo tratado com a TCC classificadas com uma resposta positiva em um teste;
  • Tratamento Farmacológico para Sintomas-Alvo: é altamente empregado como uma abordagem de tratamento adjuvante na maioria dos indivíduos com TEA ao longo da vida. As melhores metas estabelecidas pela farmacoterapia são para controlar sintomas-alvos associados, como a insônia, hiperatividade, impulsividade, irritabilidade, auto e hetero agressões , falta de atenção, ansiedade, depressão, sintomas obsessivos, raivas, ataques de cólera, comportamentos repetitivos ou rituais.

As técnicas acima refletem o controle e direcionamento do comportamento em casos de comportamento mais agressivo, com o de Jack Peter, o garotinho protagonista do livro "O Menino Que Desenhava Monstros", também da Darkside Books e que tem síndrome de Asperger.

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  Estas são informações gerais apresentadas e as fontes abaixo podem ajudar as pessoas que procuram informações sobre as TEAs a saberem como lidar melhor com cada caso. Mas o que fica para nós, principalmente sendo pais de uma menininha com autismo e após ler "Em Algum Lugar nas Estrelas" é que amor, paciência, compreensão e empatia são cruciais para o desenvolvimento de quem convive com esta condição.

O encorajamento em relação às aptidões de cada pessoa faz a diferença, pela sensação e o entendimento por parte da outra pessoa que ela não deve se sentir diminuída, excluída, mas sim especial e com habilidades que ela deve valorizar sempre.

"Em Algum Lugar nas Estrelas" é um grande livro não só pela beleza da escrita, emocionante e bem feita, mas também por nos dar mais consciência do quanto amor, aceitação e amizade fazem bem à quem nós damos e a nós mesmos e "O Menino Que Desenhava Monstros" nos mostra que não é só a pessoa especial que é afetada por sua condição, mas todos ao seu redor, de uma forma ou de outra.

  SITES ÚTEIS


Referências
AUTISMO E REALIDADE. O que é AUTISMO ou TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA? Disponível em: <http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/o-que-e-autismo/>. Acesso em 01 jul. 2016.

SÃO PAULO (Estado). Defensoria Pública. Cartilha Direitos das Pessoas com Autismo. São Paulo: Defensoria Pública do Estado, 2011. 19 p. Disponível em: <http://www.revistaautismo.com.br/CartilhaDireitos.pdf>. Acesso em 01 jul. 2016.

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