3% | altos e baixos da nova série do Netflix

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Por Taty Pimenta

A Netflix é, indubitavelmente, um sucesso e o hype que ela consegue criar para seus lançamentos é inegável. Do nada, você se vê ansioso por ver uma determinada série só porque ela vai estrear no Netflix, mais do que se fosse em qualquer outra emissora de TV aberta ou fechada no mundo.

Vi isso acontecer com 3%, nova série 100% brasileira, produzida pela gigante do streaming. Mal começaram as notícias e os comentários e burburinhos nas redes sociais começaram! Em alguns casos temos somente o hype mesmo da série, como vimos com Luke Cage, que empolgou de início, mas cujos episódios não pareceram prender tanto o público assim.

Fico feliz em dizer que, pelo menos para mim, não foi o caso da série 3%, pois esta não só surpreendeu, como conseguiu usar temas e plots já bem conhecidos com uma propriedade muito particular. O elenco diverso e focado conseguiu passar bem as impressões daquele futuro distópico, onde por alguma razão diversa o Brasil (é o Brasil mesmo?) parece ser enfrentado uma mudança absurda no clima e nos ecossistemas, tornando as vidas das pessoas muito difíceis. Os pais fundadores, um homem e uma mulher, refizeram parte deste mundo, o "Maralto" e estabeleceram metas em forma de um processo para escolher os merecedores de entrar neste mundo à parte do antigo.

Nestas regras, os jovens de 20 anos de idade participam deste processo, a fim de mostrarem que têm o mérito de pertencer ao Maralto e sair da desgraça que é o lado de cá. E é então que começa a série, conhecemos Michele, Joana, Rafael e outros, que sonham em ir para o Maralto, pelo menos é o que aparentam e o que descobrimos ser mentira visto quer eles tem missões e perspectivas diferentes.

Pensei em fazer um texto com spoilers, mas não quero tirar algumas das reviravoltas de vocês, afinal, para mim elas são o ponto alto do programa, pontuando o roteiro de forma a levar o expectador àquela vida temporariamente comunitária dos participantes do Processo, suas motivações e relações com quem o comanda.

Um parabéns sincero ao elenco jovem que se esforça muito (em alguns casos) para trazer uma atuação mais forte, dadas algumas das situações que eles são obrigados a enfrentar. Joana é uma das que mais surpreendem, difícil imaginá-la doce ao invés da menina marrenta e durona que vemos em tela. Também se destacaram para mim as personagens de Ezequiel (vivido pelo ator João Miguel) e Rafael (interpretado pelo ator Rodolfo Valente), pois foram os que mais despertaram sentimentos tanto no Odin quanto em mim enquanto estávamos assistindo.

Pontos baixos para outras atuações de personagens mais periféricos e até do elenco adulto, o que deixa tudo meio desbalanceado, mas nada que prejudique totalmente a obra. Um outro ponto doído de ver foi o CGI aparentemente não renderizado das áreas externas, o que até pode ser perdoado, visto que o visual externo não era um ponto crucial da série, mas que poderia ser um pouco mais caprichado para ajudar a compor o todo.

A quantidade geral de episódios foi apropriada para contar a estória proposta, com exceção do escorregão de desenvolvimento do capítulo Água, que poderia ter mais elementos para que não parecesse tão extensa, sendo em algumas partes um tanto quanto cansativo para o espectador.

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No mais, a Netflix entrega novamente algo potente e que anima a quem assiste para uma possível segunda temporada. Muito bom ver uma produção nacional de calibre e que foi feita sim com muito cuidado. Um outro fato animador é o de que a mesma agrega multiplas referências sem ser clichê, você não fica o tempo todo pensando que é uma cópia de outra coisa, mas sim uma forma ótima de se aproveitar um mote que muitos de nós conhecemos bem: diferentes classes lutando para mudar seus status quo, onde uns tem muitos e outros nada.

Assistido e recomendado! Lembre-se: veja de mente aberta, principalmente em se tratando de comparar com obras como Elysium, The 100, Jogos Vorazes, Battle Royale, etc. afinal este tipo de futuro distópico onde as crianças são o futuro é mais velho do que andar pra frente! É como os temas são trabalhados que regem a qualidade da obra 😉

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